Mar 2013 04

“Cautelosamente optimístico – ansioso também,” resposta do baixista do Green Day, Mike Dirnt, quando perguntado sobre a maior crise que a banda já passou: O cantor e guitarrista Billie Joe Armstrong perdendo o controle de si mesmo durante o show do Green Day no festival iHeartRadio em Las Vegas no mês de Setembro, consequentemente colocando Armstrong em reabilitação por causa de alcoolismo e vício em medicamentos de prescrição.

” Eu estou animado que tudo vai começar de novo”, continua Dirnt, referindo-se a volta das turnês do Green Day em algumas semanas, começando oficialmente 28 de março em Chicago. ” Eu só quero começar com pequenos passos e fazer tudo certo.”

Na última revista da Rolling Stone, Armstrong quebra o silêncio com uma entrevista exclusiva. Ele descreve com sinceridade o seu colapso em Vegas, os seus perigosos atos e suas complicadas emoções que levou ele até aquele dia, e também como vai a sua constante recuperação. Armstrong também fala sobre o estado e futuro de sua banda, inclusive como os seus problemas impactaram a recente trilogia , Uno! , Dos! , Tre!

Dirnt também revelou à Rolling Stone a sua preocupação com o seu amigo de infância e a primeira conversa séria que teve com Armstrong depois da reabilitação. Nesses trechos adicionais e exclusivos, o baixista relembra aquele dia em Las Vegas, o primeiro ensaio com um novo e saudável Armstrong e as ambições maníacas e a quantidade de trabalho que levou a banda a beira da sanidade.

Você viu alguns sinais, antes do incidente em Las Vegas, que Billie iria perder o controle de si mesmo eventualmente?

Todos nós ficamos com um “olho cego” – ” Todo mundo cuida de sua própria merda.” Porque a gente estava trabalhando muito desde American Idiot [2004]. A gente nunca parou de ir para frente: o álbum do Network [2003], Foxboro Hot Tubs, o musical [ do American Idiot], os cds ao vivo e o 21st Century Breakdown. Tem tanta coisa que a gente escreveu e fez, álbuns nos intervalos, que ainda nem saíram. Eu olho para isso e penso “Que tipo de intensidade é essa?” Qualquer outra pessoa ia ter desistido só com a metade das coisas que a gente faz.

Billie é muito focado. Billie é musica – ponto. Eu amo ele por isso. Eu sou uma pessoa abençoada por poder tocar musica com meu melhor amigo e poder fazer tudo possível para ajudar minha banda. Mas tem momentos que a gente ta tipo, ” A gente realmente precisa escalar uma outra montanha de novo, bem quando nós já estamos escalando uma outra montanha? ”

Como foi aquele dia em Vegas para você, mesmo antes do show?

O clima estava muito tenso lá atrás. Eles no trancaram a gente em um quarto por umas 6 horas. [Pausa] Eu não iria falar “trancado”. Mas eu não queria ficar com as pessoas no corredor. Eu me sentia como um rato em uma cela. Eu estava confinado em um espaço com varias pessoas estranhas, pessoas que estavam entrando e saindo.

Quando Billie apareceu, era como, ” Você não esta bem. O que esta acontecendo?” Eu fiquei de olho nas coisas, e tudo estava gradualmente ficando pior. Billie e eu – a gente não brinca como se a gente tivesse 12 anos ainda. Mas a um ponto, eu estava tipo ” Vamos zuar um poco”. De algum jeito estávamos brigando fisicamente no camarim. Eu pensei, ” Se só eu conseguisse tirar um poco dessa energia dele…” . Mas com drogas depressivas e álcool, não deu muito certo.

O que você estava pensando em sua cabeça quando você viu Billie perder controle dele mesmo no palco?

Sabe, sinceramente, eu concordava com o que o Billie estava falando, tirando a parte de mencionar outras pessoas. Eu sei que o Billie não é daquele jeito. Mas a parte mais importante – eu concordava com as palavras do Billie. Mas eu olhava para meu amigo e pensava, “Você ta loca pra caralho”. E a gente ta lidando com uma merda de show.

O mundo já passou por coisas bem maiores. O mundo já rio com a gente suficiente para rir com a gente agora, para de algum jeito entender. A gente tem um senso de humildade.

Billie contou para mim que bem depois do show em Vegas, antes dele ir para reabilitação , você leu o ato de manifestação para ele sobre como o comportamento dele estava afetando as outras pessoas.

Para mim começou como a preocupação com meu amigo. Depois de tornou em raiva. Depois se tornou em: ” Eu estou bravo com o que você está fazendo com você mesmo. Qualquer porra que está acontecendo com você , não é você. Você esta fazendo tudo sozinho, não esta deixando a gente te ajudar. As vezes você tem algum amigo ou alguém que ama que precisa de você para dar um toque nela. Elas não veem uma saída.

Ironicamente, isso aconteceu na mesma semana que você lançou o primeiro dos três novos álbuns – um dos seus projetos mais ambiciosos.

Nem uma pessoa me ligou para me parabenizar no dia que o [Uno!] saiu. Todo mundo estava com medo de ligar e falar alguma coisa. Eu passei por um poco de depressão. Graças a deus minha esposa estava comigo e me ajudou com meus sentimentos.

Billie mencionou que você, ele e Tré ensaiaram em novembro, pouco tempo depois que ele saiu da reabilitação . O que vocês tocaram? Ele parecia melhor e mais forte?

Honestamente, a primeira vez que a gente tocou foram só seis ou sete músicas, só para colocar nossas mãos nos instrumentos na mesma sala. Tava bom. Mas a gente não tava…

Tocando com uma razão?

Exato. É como sair para o seu quintal, ligar seu carro hot rod de final de semana: “Bom, ele da partida.” E você guarda ele na garagem. Havia uma preocupação maior, uma emoção mais profunda.

Mas todos nós tocamos muito. Eu tocava meu baixo por 4 horas seguida uma semana atrás. E eu toco todo dia por pelo menos 40 minutos no meu sofá.
Você consegue perceber alguma coisa diferente com o Billie agora?

A maior diferença agora é em nossas vidas, especialmente para ele. A gente foi forçado a parar , deixar a poeira abaixar e refletir em tudo nas nossas vidas, não só as nossas realizações. Ouvir o silêncio. Ouvir a vida. Ser presente, não só pensar o que vai acontecer semana que vem ou mês que vem.

Como você acha que isso vai afetar as próximas músicas que vão fazer, que o Billie vai escrever?

A coisa que você com certeza vai achar nessa banda é realidade. A festa estava lá quando nós éramos mais novos. Quem sabe onde vai estar a partir desse ponto? Mas sempre é honesto. Quando eu ouço musicas sinceras, eu consigo até sentir o cheiro dela. Eu gosto de musicas que falam comigo com uma verdade mais profunda.

Quando vocês voltarem a fazer shows, como é você acha que o camarim vai mudar para que Billie se divirta e ao mesmo tempo fique sóbrio?

É obvio. O camarim não precisa ter um bar. E isso está tudo bem por mim. Isso é só um mecanismo para matar tempo. E também, a gente não precisa falar sim para todas as oportunidades. A gente fez por volta de 228 shows na turnê American Idiot e 190 shows da turnê 21st Century Breakdown. E isso não inclui os ensaios cinco dias por semana nos dias sem shows.

A verdade é, independente se as coisas tiverem, boas, ruins, ou feias, eu tenho que ajudar meu garoto. Eu sempre vou estar atrás dele e vou levar a gente ao próximo desafio. Vou fazer isso fora do palco também.

Tradução: Alberto Saraiva

Fonte: RS

4 Comentários

  1. Anthonia Bona Armstrong says:

    Bom amigo que o Mike é!

  2. Lisa Alves says:

    Mike, Billie e Tré me matando tanto de orgulho.

  3. Caio Cinegaglia Armstrong says:

    FOOODAAAAAAAAAAAAAAA   Não consigo imaginar um King for a Day sem eles chapados…vai ser MUITO interessante os shows,as proximas composições e TUDO que esses três anjinhos vão produzir daqui para frente

  4. Rafaella Roos says:

    Por isso que eu amo eles, além de ótimos músicos com letras maravilhosas, são melhores amigos acima de tudo. 

Deixar um comentário