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O Green Day surpreende com o tempo

Em termos de personalidade no palco, o Tré Cool do Green Day pode ser a coisa mais próxima que a música pop tem de um Keith Moon da era moderna.

Quando o baterista de 36 anos não está arrebentando uma bateria nos shows, ele está contando piadas sujas, chamando a atenção das câmeras e exibindo um comportamento maníaco/bizarro. No final da apresentação da banda no Late Show with David Letterman em Maio, Cool sentou-se na cadeira do Letterman, pegou um cachimbo e colocou os pés na mesa do apresentador.

Então é surpreendente que o Cool, ao falar sobre sua banda, pareça tão refletivo e sincero (mas sempre dignamente engraçado).

“Muito tempo atrás, quando éramos crianças sujas punk rockers de 17 anos, estávamos tocando nossas música por nenhum dinheiro, nenhuma pessoa, qualquer lugar, qualquer hora,” diz Cool, ligando de uma parada durante a turnê no Canadá, que mostra sua banda em uma circunstância muito diferente. “Pulávamos na van, renunciando banhos, lugares para dormir e comida. É bom saber que estávamos certos.”

O Green Day gastou a maior parte de sua carreira de mais de 20 anos, provando a exatidão de seus objetivos, sempre desafiando os obstáculos e surpreendendo sua platéia.

Foram catapultados de pequenos clubes de punk rock à MTV com sua revelação de 1994, Dookie, que vendeu mais de 15 milhões de cópias no mundo. Com “Good Riddance (Time of Your Life),” de 1997, o Green Day teve um grande sucesso com algo previamente impensável para uma banda punk: uma balada acústica, guiada por instrumentos de corda.

Depois de um álbum comercialmente decepcionante, uma grande pausa e quase um término, a banda chocou o mundo com em 2004 com American Idiot, uma rock ópera política e grandiosa que marcou o início de uma gloriosa segunda fase da banda, alterando sua imagem de pop-punks à certificados roqueiros de estádios.

“Tem sido um processo de crescimento”

Continuaram com toda força neste sentido com o seu novo sucessor, 21st Century Breakdown, uma composição de 18 faixas que mistura a pompa de arenas com o grunhido punk.

“Muitas banda continuam com a mesma fórmula,” diz Cool. “Tipo, ‘Aquilo funcionou da última vez quando tivemos aquele sucesso nas rádios. Vamos fazer algo parecido. ’ Acho que tem tanto disso por aí, e depois tem as bandas que as coisas antigas são melhores, e então eles começam a decair. Eu odeio quando isso acontece, ver grandes artistas ficarem preguiçosos e decaírem. Acho que tem sido um processo de crescimento para nós. A música amadureceu, mas ao mesmo tempo, somos os mesmo engraçadinhos que sempre fomos.”

Uma similar mistura de profissionalismo e anarquia tem abastecido a atual turnê da banda. O Green Day pode estar cheio de efeitos pirotécnicos e telões no palco, mas há também um admirável elemento “faça você mesmo”. O frontman Billie Joe Armstrong, tem feito um ritual todas as noites onde ele puxa pessoas da platéia para tocar guitarra na música “Jesus of Suburbia” – uma música de nove minutos e cinco partes, diga-se de passagem- e para cantarem p seu sucesso “Longview”.

“É algo que sempre fizemos,” diz Cool. “É algo da cena de qual viemos, é mais uma atmosfera de festa. Não é, tipo, ‘Ó, olhe pra gente, estamos no palco, venerem-nos. ’ Eu odeio quando vejo uma banda que não conecta com a platéia, eles sobem no palco, tocam, como se estivessem em um ensaio. É como se tivesse os vendo na televisão. O que fazemos torna tudo especial, e proporciona a todos uma memória muito forte para levarem para casa.”

A banda atinge todas as idades

Também é notável que muitos participantes, como a platéia do Green Day, são surpreendentemente novos – muitos não tinham nem nascido quando o Dookie foi lançado.

“É o legal de termos shows com classificação livre,” diz Cool. “Temos caras de 50 anos nos dizendo, “Comecei a gostar de sua banda agora,” e depois tem as crianças novas que estão tentando achar algo com o qual se identifiquem e gostem. Há também os fãs antigos que estão conosco desde o início… É ótimo ver as crianças novas começarem a gostar. Por exemplo, teve um casal que uns 10 anos atrás fizeram sexo num show do Green Day nos fundos. Ela ficou grávida, eles tiveram o bebê, e agora eles vão aos shows e levam o filho de 11 anos com eles, tipo, com cabelo verde e um piercing no lábio.”

Dada sua personalidade, parece caber que experiências com essa ajudam o Cool a colocar a carreira de sua banda em perspectiva. O Green Day passou por um mundo de mudanças durante a última década, mas se você perguntar ao Cool, foi somente para o melhor.

“Eu acho que o Green Day de hoje teria assustado pra caralho o Green Day de 1994,” ele diz. “Eles ficariam, tipo, ‘De que maneira vamos conseguir ficar tão bons assim?”

Tradução: Marie Bastos